Quinta, 19 de Outubro de 2017
Marco Amorim

BLOG Direito em Foco por Marco Amorim

Marco Antonio Luz de Amorim. Servidor público federal. Bacharel em Direito

2017-08-24 14:23:25
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A mentalidade antinatalista

Peço licença para dedicar o artigo desta semana a um tema não diretamente ligado ao direito. É que, após várias semanas dedicadas ao problema do sistema previdenciário brasileiro, gostaria de colocar o dedo na ferida que está a exigir as medidas amargas da Reforma Previdenciária, a saber, a drástica queda da taxa de natalidade.

Desde os anos cinquenta, mas sobretudo a partir final da década de 60, vem crescendo um movimento de defesa do controle de natalidade. Reclama-se uma ampla diminuição no número de filhos por conta do perigo da “superpopulação”. Para seus adeptos, o planeta  não pode suportar mais gente.

A fim de fazer valer seu intento, os antinatalistas empregaram os mais diversos expedientes: esterilizações forçadas em mulheres pobres, aborto, distribuição de pílulas etc.

Mas o instrumento mais forte e menos perceptível dos antinatalistas foi a propaganda de massa que incutiu na maioria das pessoas a ideia de que ter filhos é um “peso”, um “problema”, pode-se dizer até uma “desgraça” ou “doença”. Não à toa, o veneno usado para alterar a produção de hormônios femininos (pilula anticoncepcional), é chamado comumente como “remédio para não engravidar”.[1]

Aqui no Brasil, o movimento antinatalista contou com grande apoio da Rede Globo. Como demonstrou pesquisa internacional, a maior parte das personagens femininas das novelas da emissora não têm filhos.[2]

Ter muitos filhos, na mentalidade geral, é “coisa de pobre”, de “gente sem instrução”, sinal de subdesenvolvimento...

Triste é ver o cuidado cada vez maior dispensado aos animais, em detrimento de uma abertura à fecundidade. Vemos gastos imensos com automóveis, apartamentos, viagens à Disney, mas a desculpa para não ter filhos é sempre a “falta de dinheiro”.

O fato é que nunca a sociedade foi tão rica quanto hoje, mas ao que tudo indica é a mais egoísta.

Vemos grandes países ruindo – Alemanha, França, Holanda – pela queda da taxa de natalidade. O fato não é novo. Um dos grandes fatores responsável pela queda do Império Romano foi justamente a rejeição aos filhos, por meio do aborto e do infanticídio.

Nossa sociedade está doente. A taxa de natalidade no Brasil só cai. Se não a revertermos a tempo, entraremos na triste realidade dos países europeus, em que a população decresce. Não é à toa que se vê o aumento acelerado do islamismo naquelas terras...

Recentemente, um bispo católico deu o seguinte conselho aos jovens[3]:

Quando jovens me perguntam como transformar o mundo, digo-lhes que se amem uns aos outros, que se casem, permaneçam fiéis, tenham muitos filhos e os eduquem para ser homens e mulheres de caráter cristão. A fé é uma semente. Ela não floresce da noite para o dia. Precisa de tempo, amor e dedicação. O dinheiro é importante, mas não é nunca o mais importante. O futuro pertence às pessoas que têm filhos, não coisas. As coisas quebram e se enferrujam. Mas toda criança é um universo de possibilidades que alcança a eternidade, unindo nossas memórias e esperanças, como um sinal do amor de Deus ao longo das gerações. É isto o que importa. A alma de uma criança existirá para sempre.

Que essas palavras ecoem nos corações do povo brasileiro, a fim de que sejamos uma sociedade autenticamente cristã e aberta ao amor! 

[1]Veja-se o excelente artigo de Padre Lodi chamado “Uma doença chamada filho”. Disponível em: Acesso em 24 ago. 2017.

[2]Novelas provocam queda da taxa de natalidade no Brasil, diz estudo. Disponível em: Acesso em 24  ago. 2017.

[3]Discurso de Dom Charles Caput no Instituto Napa Disponível em: Acesso em 24 ago. 2017.

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