Segunda, 23 de Julho de 2018
Joel Paese

BLOG Diário da Política por Joel Paese

Doutor em Sociologia Política e Professor do Departamento de Sociologia e Ciência Política da Universidade Federal de Mato Grosso.

2017-08-03 17:24:25
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Nossa liberdade está assegurada?

Somos uma geração tão familiarizada com a crença na ordem transcendente, a liberdade de expressão, a propriedade privada, os direitos individuais e políticos, as garantias do Estado de Direito, que sequer passa pela nossa cabeça nos organizarmos sobre outros fundamentos. Naturalizamos em tal grau estas realidades que a simples menção à sua suspensão causa-nos estranheza a ponto de nos levar, de imediato, a tratar nosso interlocutor como alguém que fala de um mundo ao qual não pertencemos. Dispensamos a ele o mesmo tratamento conferido aos lunáticos.

Um pouco mais de perspicácia e podemos observar que as coisas não se passam exatamente assim no mundo real e que, talvez, sejamos nós, e não ele, que vive em um universo imaginário. Em primeiro lugar, liberdade de expressão, propriedade e Estado de Direito, com os quais estamos acostumados, sequer eram concebidos. “Como é?!”. Sim, isto mesmo. Houve épocas em que tais direitos não estavam no horizonte de eventos das sociedades, pelo contrário. Mais, as pessoas entendiam que se tratava de um estado de coisas absolutamente normal; eterno, aliás.

Sim, leitor há quem não pense como nós. Muitos acham que liberdade de expressão é algo relativo ao que o partido entenda que o indivíduo pode manifestar, que a propriedade privada é a causa dos males de nossa sociedade, como a injustiça social, e que o Estado de Direito serve apenas aos detentores da propriedade. Eles se organizam em grupos e querem rever — eufemismo para abolir — todos estes fundamentos, e o mais rápido possível; sempre lembre que eles nunca dormem. Sem a disposição para defende-los à altura das exigências, perderemos tudo e nos restará apenas nos movermos entre ruínas, materiais e morais. São fundamentos que exigem luta sem trégua para serem mantidos, não se enganem; não se sustentam de modo automático e independente de nossa ação para preservá-los. Pensar diferente é ingenuidade letal, e nada além da escravidão nos aguardará.

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