Segunda, 23 de Julho de 2018
Fabricio Aquino

BLOG Perguntas e Respostas por Fabricio Aquino

Pai de Família, Cientista Social e Servidor Público

2017-07-27 14:32:33
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Sorria, você está sendo manipulado - II

Na coluna anterior abordei a questão das mudanças culturais por meio das novelas. Agora eu poderia, por exemplo, analisar a nova novela da Globo, A Força Do Querer, transmitida em horário nobre. Mas aí o leitor perderia o “fio da meada”. A novelas atuais já estão em estágio avançado da estratégia global de, a fórceps, mudar a cosmovisão da família brasileira.  Não irei, portanto, fazer uma análise usual sobre as personagens, os núcleos e as tramas. Quero chamar a atenção para o que passa despercebido pela maioria dos telespectadores: a imposição – no começo, de forma implícita, agora, explicitamente – de “novos valores”.

Citei anteriormente[1] um estudo sobre a influência das novelas sobre a família brasileira. O coordenador do estudo é bem claro: “As telenovelas moldaram o Brasil”. Segundo T.S. Eliot, a imaginação moral[2] deve ser formada por sólida literatura, que enalteça nobres ideais, que eleve o ser humano, inspirando-o a transcender sua condição material, portanto, de miséria. Com o advento do cinema e da televisão, a literatura, deixou, aos poucos, de ser uma das principais formadoras de nossa moral. Claro que há filmes e novelas que promovem ideais elevados. A questão é que os revolucionários se apropriaram destes meios, passando a promover a desconstrução de valores que nos são muito caros.

O que a experiência, de milénios, diga-se, mostrou ser a melhor opção para se criar uma criança, ou seja, a família, é vilipendiado em quase todas as novelas. E não pensem vocês que há ‘várias formas’ de famílias. Não, o arranjo, pai, mãe e os filhos é a única forma de família existente. E assim o é porque só o ser humano possui corpo, alma e espirito. Isto significa que o ser humano é capaz de refletir sobre sua existência e escolher o que melhor para si, depois é claro, de ter “quebrado a cara” por ter feito, primeiramente, escolhas erradas. Por outras palavras, há milénios que a família vem demonstrando ser o melhor arranjo social e vem alguns ‘iluminados’ nos dizer que não, que podemos sim “experimentar novos arranjos”. E isso eles dizem baseados tão somente em seus próprios desejos corrompidos pela sanha revolucionária.

Se o leitor observar, em cada novela global, alguns temas são recorrentes: a crítica à família, à religião e aos bons costumes. “Novos modelos” são apresentados como se bons fossem, e como consequência, questões sobre feminismo, gênero, minorias, ou qualquer outra moda do momento, são trabalhadas em torno destes pilares culturais. Não se trata de falar sobre o nosso cotidiano. A questão é passar a ilusão de que o mau exemplo da novela representa nossa cultura antropológica. Não, caros leitores, a família brasileira é, em sua maioria, cristã, conservadora, zelosa pela moral e pelos bons costumes.

Na novela de agora, uma das protagonistas abandona a faculdade, larga um homem bem sucedido por ele ‘dividir o amor dela com o trabalho’, criando um falso dilema. Não é assim que ocorre na vida real. Na vida real as contas precisam ser pagas...  O sucesso financeiro, honesto, não vem sem sacrifícios. Vocês, caros leitores, conhecem quantos homens bem sucedidos que abrem mão de uma boa esposa, que será sua parceira nos bons e maus momentos? Ele não trabalha ‘feito doido’, justamente, por amar a esposa e os filhos? O roteiro mostra ela convicta de sua escolha. Esta personagem, depois, vai para o mundo do crime por causa de ‘dificuldades financeiras’. Eis aí a ‘força do querer’ ... Isso não é uma afronta à todas as mulheres brasileiras, honestas, cumpridoras de seus deveres, que trabalham, muitas vezes, em jornada dupla, mas não se tornam criminosas? Continuaremos na próxima coluna. 


[1]
Disponível em: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI26593-15295,00-ALBERTO+CHONG+AS+TELENOVELAS+MOLDARAM+O+BRASIL.html . Acessado em 20 de julho de 2017.

[2] Ler “A era de T.S. Eliot – A Imaginação Moral do Século XX”, publicada pela É Realizações.

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