Segunda, 17 de Dezembro de 2018
Joel Paese

BLOG Diário da Política por Joel Paese

Doutor em Sociologia Política e Professor do Departamento de Sociologia e Ciência Política da Universidade Federal de Mato Grosso.

2017-04-24 17:11:45
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Dostoiévski e a Política - I

A prioridade na ação política é a pré-política. Do contrário, somos levados ao absurdo de conceber consequências na ausência de causas. O que se apresenta na política decorre da pré-política, nos termos definidos anteriormente nesta coluna. Deter-me-ei, neste artigo e em outros, e um autor central para entendermos como política e pré-política são conexos. Refiro-me a Dostoiévski — genuíno profeta —, o mais importante dos literatos russos e da estatura de Homero, Virgílio, Dante e Shakespeare. Estes pertencem à categoria dos autores com potência de ordenar a alma e a sociedade. Estão em patamar distinto, comparados a todos os demais.

Mas, afinal, quem foi Dostoiévski? Por esta pergunta muito dizer a respeito de sua obra, iniciarei pela síntese de sua biografia. Nasceu em 03 de outubro de 1821. Após início promissor como escritor, envolveu-se em um círculo socialista. Devido a isso, foi preso e condenado à morte. No momento da execução, quando os atiradores engatilharam a arma para proceder o fuzilamento, a ordem foi suspensa pelo Czar. Enviado à Sibéria para trabalhos forçados, lá permaneceu por quatro anos. Após mais um período no serviço militar obrigatório, voltou a São Petersburgo para retomar a carreira de literato. Produziu os mais importantes romances já escritos, como “Crime e Castigo”, “O idiota”, “Os demônios” e “Os irmãos Karamázov”. Por uma década trabalhou no jornalismo, como editor de uma revista. Veio a falecer em 9 de novembro de 1881, devido ao rompimento de uma artéria pulmonar.

Sua obra foi a busca incessante do fundamento — para ele não poderia ser outro senão Deus. Foi a tentativa de encontrar a direção da alma e da sociedade. Expressou a existência do homem como síntese entre o luminoso e o sombrio, movido pela culpa e o anseio de redenção. A literatura que emergiu de sua pena é a mais profunda investigação jamais escrita sobre a alma e o espírito humano, em seu destino trágico. Seu estudo sobre o homem é a mais perfeita tradução da fórmula platônica, fundadora da Ciência da Política: “A sociedade é o homem escrito em letras grandes”.

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